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O dia dos metais


Bolsistas mostram todo virtuosismo do grupo de metais em concerto no Auditório

Alunos apresentaram peças como a abertura de A flauta mágica de Mozart

Era fim de tarde de um domingo cheio de atividades no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Na praça a Osesp e o solista Marc Coppey repetiram o concerto do dia anterior do Auditório Cláudio Santoro. No mirante ao lado do Auditório, principal palco do Festival, o sol dava seu espetáculo diário de inverno, pondo-se por trás das montanhas das gerais. No outro lado, a lua surgia redonda e iluminada, marcando o início da noite para quem apreciava toda a beleza natural do lugar. Logo abaixo, 23 jovens bolsistas preparavam-se para viver seus momentos de brilho, no concerto conhecido como “dia dos metais”.

 

O concerto tem como concepção reunir no palco todos os bolsistas de trompa, trompete, trombone e tuba do Festival, além de bolsistas de percussão como apoio. No repertório, peças como a abertura de A flauta mágica de Mozart, Once upon a time in the West de Enio Morricone, entre outras, adaptadas para o grupo pelo professor de tuba e arranjador Roland Szentpali. [veja o vídeo de Novo carnaval de Veneza, de Thomas Stevens]

 

Para Arthur de Camargo Zanin, 24 anos, bolsista de trompete e morador de São Paulo, vivenciar o Festival pela primeira vez foi uma experiência única de intenso aprendizado.  Para ele, montar as peças foi bem difícil. “São arranjos bem virtuosos que o professor Roland trouxe, não estamos acostumados a fazer isso no Brasil”.

 

Rodrigo da Rocha, 27 anos, que toca trombone baixo, conta que o nível dos colegas é muito alto. Gaúcho de Caixas do Sul, Rodrigo mora atualmente em São Paulo e estuda com Darring Milling. Ao final do concerto elogiou a formação do conjunto: “quando a gente toca obras orquestrais, passa metade do tempo contando pausas, se concentrando para não perder uma entrada. Com o grupo, fizemos tudo aquilo que a gente fica olhando os violinos, flautas e oboés fazerem. É uma realização.”

 

Para Jéssica Takimoto Apolinária, de 18 anos, bolsista de trompa, moradora de São Paulo e única mulher no grupo de metais, em 2010 o Festival ficou maior, com mais tempo para fazer aulas e participar da orquestra. Estudante da USP, esteve no Festival em 2005 e 2006 e atualmente se prepara para mudar para os Estados Unidos. “Ganhei uma bolsa e vou continuar a faculdade lá. Campos está sendo minha despedida do Brasil”, comemora.

 

Questionada sobre a condição de ser a única mulher no grupo de metais, ela conta que já se acostumou. “A vida toda sempre foi assim, tem mais homem tocando metal, mas acho que isso vai mudar um dia, virão mais mulheres”,  acredita Jéssica, que enfatiza a união dos alunos para fazer tudo funcionar bem.

 

Roland, que fez os arranjos e regeu o grupo, elogia o desempenho dos bolsistas. “É um grupo muito bom, e a música de câmara é importante para eles, porque tocar junto faz com que comecem a ter uma entonação e articulação melhores”, explica.  Para ele, esse exercício ajuda muito quando forem tocar em uma orquestra.

 

Danilo Henrique de Oliveira, 24 anos, de São Bernardo do Campo, que participa do Festival pelo sexto ano consecutivo, conta que o naipe de metais evoluiu muito neste ano. “Tivemos excelentes professores em todos os naipes e instrumentos, vindos de várias partes do mundo. A música precisa dessa globalização, porque a gente só pode crescer a partir do momento que tem informação e parâmetro do que acontece lá fora”, termina.

 

Texto: Carlos Rizzo

Foto: Breno Rotatori / Agência F8

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