Edição 2010

Em 2010, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão cresceu. Foram quatro semanas de evento (uma a mais que nos anos anteriores) e 83 concertos, o dobro se comparado com a média das edições passadas. O Festival de Campos do Jordão também ampliou o seu acesso ao público com uma série de 11 concertos na cidade de São Paulo, em locais como o Sesc Vila Mariana e a Sala São Paulo.

Com uma semana a mais, as atividades pedagógicas desta edição também cresceram. Os 180 bolsistas tiveram mais tempo para conviver com os professores, dentre os quais estão alguns dos maiores músicos do mundo. Além disso, praticamente todos os destaques da agenda de concertos ministraram master classes, oficinas e palestras aos alunos.

Mantendo a tradição de ser o evento que oferece a melhor e maior programação de música clássica e romântica em toda a América Latina, em 2010 o Festival foi além: retomando o que preconizou Eleazar de Carvalho desde 1973, a programação está mais abrangente e o público pode apreciar atrações de primeiro escalão mundial com repertório de todos os períodos da música, desde a música antiga até a contemporânea. Mais uma novidade: além das tradicionais orquestras, neste ano o número de concertos de música de câmara se multiplicou, sendo grande parte delas gratuita.

Entre os destaques da programação em 2010 estiveram a Osesp, realizando nove concertos com regentes do porte de Kalmar e Yan Pascal Tortelier, além de Frank Shipway e Alex Klein. Além da OSB sob a batuta de Roberto Minczuk, a Filarmônica de Minas Gerais regida por Fábio Mechetti, a Jazz Sinfônica, a Orquestra Municipal de São Paulo, a OSUSP e a Banda Sinfônica do Estado.

Junto a essas orquestras estiveram solistas de renome como o violinista Gilles Apap − famoso por sua interpretação perfeita de Mozart e versatilidade em gêneros tradicionais, o violoncelista Marc Coppey e o violonista Fabio Zanon, além de um grupo seleto de pianistas.

Em 2010, a responsabilidade social também esteve presente nas atividades promovidas pelo Festival. Parte do rendimento com os ingressos dos concertos foi revertida para ações de educação musical e inclusão social, beneficiando comunidades menos favorecidas da cidade de Campos do Jordão. Além disso, moradores da região puderam comprar ingressos a preços promocionais.
 

Tema e homenagens

O tema de 2010 do Festival foi A música e seus diálogos, refletindo na programação diálogos entre períodos e estilos, entre tradições e culturas, entre a música e outras artes. Para compor o tema foram reunidas diferentes propostas: de músicos reconhecidos pelo repertório contemporâneo tocando peças clássicas com leitura atual (Quarteto Arditti) a grupos que interpretam canções medievais de forma tradicional (Les Musiciens de Saint-Julien).

Os diálogos continuavam com a participação de Gilles Apap, solista que consegue, ao mesmo tempo, executar com excelência concertos de Mozart à frente da Osesp e incorporar novas sonoridades, unindo música oriental e folk americano. O Ocidente encontrou o Oriente por meio do barroco japonês lado a lado com Vivaldi no concerto da Camerata Fukuda. Houve também um encontro inusitado entre um contrabaixo (Catalin Rotaru) e um violoncelo (Fabio Presgrave), executando uma peça composta originalmente apenas para violoncelos. Os instrumentos musicais também interagiam com o canto (Jazz Sinfônica e Ray Lema) e com a dança (São Paulo Companhia de Dança).

Entre as homenagens, o Festival celebrou o Ano Fryderyk Chopin, com os 200 anos de nascimento do compositor, apresentando o pianista polonês Zbigniew Raubo e a brasileira Cristina Ortiz com um repertório especialmente dedicado ao compositor.

O Festival também homenageou Robert Schumann, em comemoração ao bicentenário de seu nascimento. O repertório do compositor ficou imortalizado na execução de pianistas brasileiros que dispensam apresentação: Nelson Freire, Arnaldo Cohen e Caio Pagano.

O terceiro homenageado foi Gustav Mahler, pelo sesquicentenário de seu nascimento. Dois concertos o homenagearam: a Orquestra Experimental de Repertório, com Jamil Maluf à frente, traz as Canções da Trompa Mágica do Menino, e a OSB executou a majestosa 3ª Sinfonia.